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Ciclismo
 
 

“Frederico Figueiredo viveu uma época "fantástica", mas quer regressar à Volta para ganhar”
Ciclista despediu-se de uma temporada "fantástica" sem arrependimentos

Por: Lusa
Frederico Figueiredo despediu-se de uma temporada "fantástica" sem arrependimentos e com vontade de, para o ano, tentar ganhar a Volta a Portugal, na falta de ofertas que lhe permitissem concretizar o sonho de participar numa grande Volta.
"Acho que na vida não nos podemos arrepender de algumas coisas e não me vou arrepender de o ter feito. É como eu disse na altura da Volta a Portugal: gostava de ter ganho, o sonho continua aqui dentro. Para o ano, estamos lá a tentar novamente. Se der, deu, se não, também ficamos [contentes]. Desde que eu faça o meu trabalho e a equipa o reconheça, acho que posso sentir-me contente e satisfeito com isso", vincou, em declarações à agência Lusa.
Frederico Figueiredo foi o homem mais forte da última Volta a Portugal, conquistada por Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor), mas decidiu aguardar pelo seu companheiro uruguaio quando este enfrentou dificuldades na subida à Senhora da Graça, na penúltima etapa, acabando por ser destronado no contra-relógio do último dia da 83.ª edição.
"Tínhamos um bocadinho aquele pacto, porque na etapa de Miranda do Corvo ele passou mal e deu-me autorização para eu ir. Muita gente também comenta que eu fui 'falso' em ter arrancado, mas foi uma autorização do Mauricio. Não fui eu por iniciativa própria que o fiz. Muitas pessoas de fora me criticaram por eu ter feito aquilo e, se calhar, não o deviam ter feito, porque não sabem o que se passa dentro da corrida. E, depois, no dia da Senhora da Graça, não o iria fazer [atacar] em detrimento do Mauricio, porque não era correto da minha parte", defendeu.
Embora 'Fred' mencione críticas, a sua postura foi elogiada pela maioria daqueles que seguiram a prova, nomeadamente na estrada, com o trepador português a ficar na memória coletiva como um senhor, a palavra escolhida pelo próprio Moreira para elogiar a postura do seu 'vice' na geral.
"Muita gente, quando acabou a Volta, me deu os parabéns não pelo segundo lugar, porque para o ano já ninguém se lembra, mas pela atitude que tive, pela entrega. Foi um bocadinho em forma de agradecimento, porque no Troféu Joaquim Agostinho a equipa também deu tudo o que tinha por mim. Corridas há muitas e nós temos de ter os nossos objetivos logo no início da época. Eu tinha como objetivo o Algarve, as Aldeias do Xisto, a Volta e o Agostinho, e, graças a Deus, consegui concretizá-los", notou.
Apesar de "um ano fantástico", em que venceu a Clássica Aldeias do Xisto, a Volta a Albergaria, o Troféu Joaquim Agostinho pela terceira vez consecutiva (um recorde), além da quinta etapa a chegada inédita ao Observatório de Vila Nova, em Miranda do Corvo e da classificação da montanha da Volta a Portugal, o corredor de 31 anos reitera que gostava de ter vencido a prova 'rainha' do calendário nacional.
"Fica 100% claro que gostava de ter ganho a Volta a Portugal e dei tudo para ganhar. Acabei por fazer, se calhar, o contra-relógio da minha vida, acabei por não perder muito tempo, mas é como digo: para o ano estou a trabalhar novamente. Se conseguir perder 30 segundos em vez de um minuto no crono para o Mauricio, é o meu objetivo", brincou.
Figueiredo 'responsabilizou' o "saltinho de qualidade" que deu no seu último ano no Tavira e "aquele pontinho de confiança" extra que ganhou quando integrou a atual estrutura da Glassdrive-Q8-Anicolor pelos resultados consistentes do último ano.
"A confiança vai-se ganhando. As coisas parece que ficam muito mais fáceis. Levantar os braços uma vez, duas, e parece tudo muito básico, natural. Nós ficamos muito mais sossegados, porque não temos a pressão de ganhar e do querer ganhar. Às vezes, até não nos põem pressão na equipa, mas nós pomos pressão a nós próprios. Como é normal no ciclismo, todos nós queremos ganhar. Por vezes, as coisas, com a pressão, não correm bem e era o que me estava a acontecer. Depois, houve ali aquele ponto de viragem, e, graças a Deus, tudo corre bem", resumiu.
Por estar satisfeito com a nova fase (vitoriosa) da sua carreira, aquele que é o melhor trepador do atual pelotão nacional reconhece à Lusa que, apesar de ter sido sondado por outras equipas, "tudo indica" que vai continuar na Glassdrive-Q8-Anicolor, com a qual tem mais um ano de contrato.
Para trás, parece ter ficado definitivamente o sonho de estar nos maiores 'palcos' do ciclismo mundial, depois de ter cumprido toda a sua carreira, que começou em 2014 na Rádio Popular e passou por Tavira (2017-2020), no pelotão português.
"Toda a gente já sabe que quando chegas aos trintas, já não és uma jovem promessa. É sempre mais complicado [emigrar], mas gostava, claro que sim. Claro que gostava de estar naqueles grandes palcos, gostava, por exemplo, de fazer uma grande Volta, era um objetivo que tinha... não sei se o irei conseguir concretizar, mas também se não conseguir, temos muito calendário em Portugal", disse.
Conformado com a realidade, o sempre disponível e acessível 'Fred' reconhece, ainda assim, que gosta "muito de correr lá fora".
"Sempre que há corridas internacionais, tento estar bem. Mesmo em toda a minha carreira, não ganhei lá fora, mas obtive sempre bons resultados a nível internacional. É continuar a trabalhar e alguma coisa há de aparecer", concluiu.
Fonte: Record on-line

 
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